Ciganos acampados na Beira-Mar Norte se mudam para aterro da Via Expressa Sul

Grupo teria ocupado o novo local por indicação da Secretaria do Patrimônio da União.
Ciganos na expressa sul

O grupo de ciganos que estava acampado na Avenida Beira-Mar Norte, na Capital, ocupa outro lugar: a Via Expressa Sul, no bairro Saco dos Limões. O local foi sugerido em documento enviado ao Ministério Público Federal (MPF) pela Secretaria do Patrimônio da União (SPU).

De acordo com moradores das proximidades, o grupo estaria ali, ao lado do terminal de ônibus desativado, desde o final da tarde de sexta-feira. O representante dos ciganos, Kalon Rogério, negou-se a falar sobre a situação.

Ele apenas mostrou um documento enviado pela superintendente do Patrimônio da União em Santa Catarina, Isolde Espíndola, para a Procuradora da República Analúcia Hartmann.

Em um trecho, é possível ler que a área, de domínio da União, era a única que poderia abrigar os ciganos enquanto não houver destinação do terreno, já que há vários pleitos em andamento para aquele lugar.

O terreno abriga duas tendas feitas com lonas. Nelas estão os pertences dos ciganos, como panelas e um carro. Em uma delas, pode-se ver a pilha de cobertores que vendem para garantir o sustento.

A polêmica envolvendo os ciganos começou no dia 20 de setembro, quando a Ponta do Coral, na Beira-Mar Norte foi ocupada pelo grupo de três famílias.

Sem endereço

Nômades, sem local definido para morar, eles estavam instalados no Rio Vermelho, Norte da Ilha, antes de se mudarem para o Centro. A proximidade com escolas e hospitais fez com que as famílias optassem em sair de onde estavam para acampar na Avenida.

Na época, o proprietário da área registrou um boletim de ocorrência e pediu reintegração de posse do local. A Coordenadoria de Políticas Públicas para a Promoção da Igualdade Racial, um órgão da prefeitura, chegou a mandar um documento à associação de pescadores autorizando o fornecimento de água e luz para os ciganos no local. Mas a Secretaria de Urbanismo considerou a permissão ilegal.

Mariana Ortiga | mariana.ortiga@diario.com.brEste endereço de e-mail está sendo protegido de spam, você precisa de Javascript habilitado para vê-lo
Publicado: ClicRBS – Diário Catarinense, em 10/10/2009.

Acampamento cigano. Com a palavra Calon Rogério!

DSC_0039IIDSC_0055II Estivemos por dois dias visitando os ciganos que estão na Beira-Mar de Florianópolis, mais especificamente na Ponta do Coral. E fizemos amizade, que creio ser duradoura.

Fomos recebidos com alegria e ao contrário do que todos falam eles são pessoas como nós, gente da nossa terra, apenas tem uma maneira de viver diferenciada da maioria da população. São ciganos brasileiros, que tem seus costumes cultivados aqui nesta nação. A música é própria de quem vive no Brasil e a cultura enraizada nesta terra.

“Muitas pessoas pensam que ser cigano é uma religião e cigano não é religião é uma nação dentro de outra nação.”
Calon Rogério – Líder dos Ciganos que estão com suas barracas na Ponta do Coral, Beira-Mar de Florianópolis.

“Enquanto a humanidade não regatar sua enorme dívida para com nossos irmãos ciganos, nenhum de nós poderá falar em direitos humanos e cidadania. “
Papa João Paulo II – 1999

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Próximo destino das três famílias pode ser Brasília

Matéria do Jornal “Diário Catarinense” – 24/09/09

Ainda sem serviços básicos como água e eletricidade disponíveis, as três famílias ciganas, acampadas na Beira-Mar Norte, na Capital desde domingo, aguardam a infraestrutura mínima para a sobrevivência.

Segundo o líder da comunidade Kalon Rogério, se até a próxima segunda-feira eles não conseguirem as ligações que pediram, irão a Brasília para reclamar o problema.

– Olha como é. Para resolver nosso problema, que é tão pequeno, teremos de ir até Brasília – protesta.

Rogério está ciente de que a empresa do Sul do Estado, dona do terreno, registrou um boletim de ocorrência pelo que considera “invasão” da propriedade. Mas, segundo ele, se houver pedido de reintegração de posse, os ciganos vão recorrer.

– Nossa intenção era ficar só 13 meses por aqui. Mas como compraram briga, a gente só vai sair se tiver para onde ir. Não podem jogar a gente na rua. Temos três crianças na nossa comunidade – completa.

Ação de reintegração de posse deve ser protocolada

Não é só a falta de estrutura que promete dificultar a vida dos ciganos no local. Conforme um dos advogados da empresa, que prefere não se identificar, uma ação de reintegração de posse deve ser protocolada ainda nesta semana para tentar fazer com que as famílias saiam.

Os casos, de acordo com ele, têm o julgamento rápido, e a reintegração sai em uma semana, em média.

Apesar de ter ciência de que os ciganos ficam temporariamente nos terrenos, o advogado da empresa afirmou que o interesse de seus clientes é manter a área “limpa”.

Enquete feita pelo ClickRBS:

Os ciganos têm direito de utilizar áreas particulares para acampar?

Uma história de expulsões.

Matéria do Jornal “Diário Catarinense” – 24/09/09

Cultura nômade tem origem na dificuldade de permanência nos terrenos escolhidos. Líderes afirmam que maior problema enfrentado pelas comunidades é o preconceito

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Sem data, hora e destino certos, para eles, o normal é ser nômade. As

expulsões frequentes obrigaram a inserção desse costume à cultura. As crianças estudam em vários colégios durante a vida, e o preconceito, por vezes, tira a liberdade de declarar: eu sou cigano. Estes grupos, que viajam durante boa parte da vida, são cercados de mitos e polêmicas.

As famílias são as unidades básicas das comunidades ciganas. Vão juntas para os locais de acampamentos. Na Ponta do Coral, área central da Capital, onde ciganos se instalaram no domingo, são três famílias, somando nove pessoas, sendo seis adultos.

O tempo que um acampamento ficará montado em um local não segue regras, assim como o local. Conforme o líder do grupo, Kalon Rogério, geralmente são escolhidos terrenos públicos, sem construções e que não estejam sendo utilizados. Antes de montar acampamento, há uma consulta às cartas para avaliar se o local será bom.

As crianças vão às aulas. Elas são transferidas de escola a cada mudança. Os períodos mais longos de permanência são motivados justamente pela necessidade de os filhos estudarem. Em geral, conforme a cigana Rose Mari Carvalho, eles se mudam a cada três ou quatro meses, para que as crianças possam parar em uma escola.

O cuidado com a arrumação do acampamento, com a colocação de lonas para os colchões e o zelo com os filhos são responsabilidades das mulheres. É das mãos delas que saem as costuras, os bordados e os enfeites para os vestidos.

Ontem, quando começou a ventar, no fim da tarde, Célia Galvão, mulher de Rogério, ajudou a reforçar a estrutura para que as lonas não voassem. Filha de ciganos e nascida no Paraná, ela está acostumada com a rotina.

Há uma unanimidade entre os ciganos. O maior problema das comunidades é o preconceito. Célia comenta que são seguidas quando vão fazer compras no mercado. Rogério também afirma que a sociedade os acusa de serem ladrões.

– Tem cigano bom e cigano ruim, assim como tem não-cigano bom e não-cigano ruim – afirma ele.

LILIAN SIMIONI
Cultura cigana
– Sustento – A atividade principal dos ciganos é o comércio. Vendem utensílios domésticos, cobertores, colchas, edredons e toalhas de porta em porta ou na rua. Os ciganos preferem não se identificar como tais enquanto tentam vender. A justificativa, conforme Rogério, é evitar o preconceito. Segundo o cigano José Motta, a prática não é uma regra, mas uma opção recorrente nas comunidades
– Língua – São pelo menos sete idiomas ciganas no mundo, segundo Rogério. Rafael Galvão, de apenas sete anos, já se comunica em português e em kalon
– Leitura de mãos – As mulheres aprendem com mães e avós. Para as ciganas, tudo o que marca a vida da pessoa está escrito nas linhas da mão: as coisas que passaram e como será a vida em relação ao amor, ao dinheiro e à família. O aprendizado da leitura começa cedo. Só pode ler a mão a cigana que tiver o dom. No jogo de cartas elas ficam sabendo se têm o dom. As mulheres do acampamento da Ponta do Coral não vão para a rua procurar clientes, são eles que precisam procurá-las. O custo é de R$ 10
– Leitura de cartas – É uma atividade corriqueira, que os homens também podem exercer. É feita com baralho cigano, e não pode ser para todos os clientes. Somente os “merecedores” é que podem ter as cartas jogadas, segundo Rogério. A consulta das cartas custa R$ 25
– Religião e casamento – Cada família decide a religião que vai seguir. Casamentos, por exemplo, são feitos como os demais, em igrejas. A diferença fica na comemoração. Os padrinhos, tanto do noivo quanto da noiva, ajudam no pagamento das contas. Isto porque a festa não se resume a um dia. Começa, pelo menos, 15 dias antes da data oficial. O colorido dos vestidos e dos enfeites vão para a festa. As danças e o churrasco são indispensáveis nestas ocasiões

Líder cigano afirma que grupo ficará acampado em Florianópolis até que seja obrigado a sair

Matéria do Jornal “A Notícia” de joinville – 23/09/09

Acampamento foi montado no domingo em terreno privado na Baía Norte

O líder do grupo cigano que está acampado na Ponta do Coral, próximo à avenida Beira-Mar Norte, em Florianópolis, Kalon Rogério, afirmou que não deixará o local até que um documento oficial ou autoridade obrigue a saída.

Nove ciganos em três famílias ocuparam o terreno particular na Baía Norte no domingo. Antes, estavam em uma área no Parque Florestal do Rio Vermelho, no Norte da Ilha de Santa Catarina, onde ficaram por um mês.

Segundo Rogério, panelaso grupo deixou o local porque ficava distante de serviços essenciais e de estabelecimentos para comprar comida. O acampamento no terreno da Baía Norte continua sem fornecimento de energia elétrica e água, mas as três crianças do grupo já estão matriculadas em uma escola municipal.

Rogério ainda espera que a prefeitura destine um local com infraestrutura adequada para que os grupos ciganos possam montar acampamento.

Ele entrou em contato com o subsecretário de direitos humanos da Presidência da República, Perly Cipriano, para tentar garantir a manutenção do acampamento. Os advogados dos proprietários do terreno já registraram um boletim de ocorrência sobre a ocupação do terreno.

Famílias de ciganos em área urbana

Matéria do Site: FloripAmanha.org – 22/09/09

Quem passou pela Avenida Beira-Mar, na Capital, ontem, percebeu uma presença pouco comum em áreas urbanas: a de ciganos. Três famílias se instalaram no local conhecido como Ponta do Coral. Órgãos da prefeitura se contradizem a respeito da permanência do grupo.

Desde domingo a área foi ocupada pelos ciganos. Nômades, sem local definido para morar, eles estavam instalados no Rio Vermelho, Norte da Ilha. A proximidade com escolas e hospitais fez com que as famílias optassem em sair de onde estavam para acampar na Avenida Beira-Mar.

Em frente às barracas feitas com lonas, uma placa explica quem é o grupo: acampamento cigano. Nela, também está o decreto federal que instituiu o Dia Nacional do Cigano, comemorado em 4 de maio e instituído como forma de contribuição à redução do preconceito.

– Estamos aqui porque achamos o local conveniente, não há razão nem reivindicação específica. O que queremos não é novidade. Lutamos por questões antigas, como poder montar uma escola de educação móvel, essencial para nosso estilo de vida – disse Kalon Rogério, líder do grupo.

Ele disse que, além de o local estar abandonado, as três famílias possuem aval da prefeitura para estarem ali. A Coordenadoria de Políticas Públicas para Promoção da Igualdade Racial (Coppir), um órgão do Executivo municipal, teria permitido a permanência do grupo na Ponta do Coral, segundo Rogério.

A reportagem procurou a coordenadora da Coppir, Marta Lobo, mas ela não atendeu por justamente estar cuidando desta questão durante a tarde de ontem, conforme informaram funcionários da Coordenadoria. A RBS TV noticiou que a Coppir teria mesmo mandado um documento para a comunidade de pescadores do lugar, alertando que os ciganos poderiam ficar ali. Mas a Secretaria de Urbanismo teria contrariado a decisão, dizendo ser o ato ilegal.

(DC, 22/09/2009)

Proprietário de área ocupada por ciganos em Florianópolis pedirá reintegração de posse

Grupo está desde domingo na Ponta do Coral, na Avenida Beira-Mar Norte

Matéria do Jornal “A Notícia” Joinville – 21/09/09

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O proprietário da área ocupada por ciganos na Avenida Beira-Mar Norte, em Florianópolis, registrou um boletim de ocorrência e elabora o pedido de reintegração de posse do local. O grupo está desde domingo no terreno, que fica na Ponta do Coral.
A Coordenadoria de Políticas Públicas para a Promoção da Igualdade Racial, da prefeitura, chegou a mandar um documento à associação de pescadores autorizando o fornecimento de água e luz para os ciganos. A secretaria de urbanismo afirmou à equipe da RBS TV que a autorização é ilegal.
Há a previsão de construção de um empreendimento internacional, com hotel e píer na área invadida, mas que ainda depende de licenças ambientais.

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